terça-feira, 5 de outubro de 2010

Be

Tão subtil, tão perspicaz, tão intemporal. Uma capacidade extrema de cativar, um criador de estados viciantes e circulares. Como quem despe lentamente um corpo, também tu com audácia despes lentamente o ser. Recordo horas desvanecidas nos vocábulos virgens que com paixão se soltam dos teus lábios. Relembro os teus olhos, estranho reflexo espelhado, a dirigirem-se na direcção do meu eu. Quero, ainda mais, que os teus dedos que tocam com delicadeza na minha pele branca, se mantenham calmamente a apertar toda esta essência.
E agora, depois de tanto girarem os ponteiros do relógio, depois de todas as palavras serem debitadas directamente no recanto mais íntimo do corpo, recorda e deposita as tuas entranhas minha na alma.
 
 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

In

Love actually.



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Old but actual

Retorno à doce floresta,
Viagem preciosa.
As mãos dela acompanham todo o jogo de cintura.
Crepitar doentio,
Nunca a lua esteve tão próxima.

Os teus olhos fugiram meu amor.
A tua inocência é deles.
Completamente perdida.

Sem o saberes, devolves-me o teu riso.
A tua cabeça pesa-te,
A ignorância não tem preço.

O maior erro é fingir metaforicamente.
Um dia destes eles vão saber,
Não há escapatória!

Mostra-me o que queres das árvores,
Colhe todos os frutos sem permissão.
O amanhecer anuncia-se,
Os teus olhos fecham lentamente para que eu possa observar a passagem.

Gostava mesmo de poder ficar.

Os teus braços afundam-se no corpo
E a tua cabeça deixa-se cair.
Não precisas de ter medo,
O cristal está a salvo.
Um céu carregado de nuvens,
Meia-dúzia de estrangeiros.
É o tempo.
É do tempo.

Maldito possuidor de tudo!
Puro egoísmo, inveja crua
Representada em ti.

Não te quero conhecer de outra forma meu amor.
Não te reconheceria de outra maneira.

As tuas lágrimas nostálgicas nas minhas mãos.
A rua sempre tão nossa,
Sempre tão deles.
Estrada fora,
Boleia de um estranho conhecido.
Adormeces.
Porque a dormir és mais tu e menos eles.
Próxima paragem:

O lago.



Fica. Não precisas de acordar.

[É do tempo. Sempre dele.]



(há tempos, em dias cinzentos e repletos de saudades...)

sábado, 11 de setembro de 2010

Deep

As palavras, ainda que usadas como simulacros da realidade, tornam-se dispensáveis para qualquer descrição que queira fazer. Sempre difusas, sempre contraditórias, sempre incapazes de atingir a dimensão do sentimento. Toda esta procura incansável para uma razão, para um novo motivo racional, tornam o tempo mudo e estático, ou assim o desejava.
Nunca antes tinha descrito um compasso tão ritmado, com tantos silêncios, com tantas oscilações entre graves e agudos, entre estados antagónicos provenientes de um só instrumento. Nunca a paixão foi tão profunda, tão carnal, tão sincera. Não tenho memória sequer de algo tão envolvente, tão consumante, tão natural.
O tempo, o maldito factor que finalmente não apresenta qualquer relevância, só me diz o quão especial é toda esta emoção que se vai revelando entre disparos de balas sem pólvora. O crescimento diário do aperto no peito relembra-me todas as disposições da alma que se rendeu a um novo encanto. Todas as lembranças, conservadas no refúgio mais íntimo que te dou a conhecer, alimentam as saudades despidas de embaraços.
Não me lembro definitivamente de algo tão marcante, tão vivido, sem falhas intelectuais. Há quem lhe chame sorte, há quem se orgulhe, há quem guarde tudo em si. Limito-me a fazer de tudo isso um pouco e acima de tudo, limito-me a sentir o teu lado mais virgem.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Lição nº 1

A tua ausência magoa mais que o teu silêncio.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Devaneios

Um clique rápido no coração sem qualquer lembrança de como voltar a desligar.


É assim que tem de ser. Só pode ser assim.

Caso contrário, ensina-me a não apreciar o azul.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

...

Desafio constantemente o ser só para conseguir mais tempo para absorver todos os fragmentos de luz. Como uma rotina imprevista, uma reflexão de longos e sábios pensamentos, este sentimento cresce; cresce tanto que por vezes sinto-me incapaz de abraçar tamanha emoção. Um prazer mútuo estampado na alma, uma conjunção de palavras sopradas na brisa matinal que arrefece a pele nua.
Despidos de vaidades, frente-a-frente, como se fossemos capazes de nos enfrentar a nós mesmos. O retorno à emoção primitiva, o travo incapaz de se soltar da minha boca. Uma calma parente que nos faz querer mais. O regresso a nós como seres rendidos ao prazer. O não querer conhecer outra coisa, o não querer despir outro corpo senão o teu.
Voltar a mim, contigo já dentro. Saudade, quase tão grande como a paixão. Desconhecer a razão, o entendimento, e ainda assim apaixonar-me constantemente por ti.
Renovar laços, criar expectativas, crescer lentamente com inteligência. Poesia deixada como marco na tua janela, o alcançar de um novo estado.

"Viajar é perder identidade."