As palavras, ainda que usadas como simulacros da realidade, tornam-se dispensáveis para qualquer descrição que queira fazer. Sempre difusas, sempre contraditórias, sempre incapazes de atingir a dimensão do sentimento. Toda esta procura incansável para uma razão, para um novo motivo racional, tornam o tempo mudo e estático, ou assim o desejava.
Nunca antes tinha descrito um compasso tão ritmado, com tantos silêncios, com tantas oscilações entre graves e agudos, entre estados antagónicos provenientes de um só instrumento. Nunca a paixão foi tão profunda, tão carnal, tão sincera. Não tenho memória sequer de algo tão envolvente, tão consumante, tão natural.
O tempo, o maldito factor que finalmente não apresenta qualquer relevância, só me diz o quão especial é toda esta emoção que se vai revelando entre disparos de balas sem pólvora. O crescimento diário do aperto no peito relembra-me todas as disposições da alma que se rendeu a um novo encanto. Todas as lembranças, conservadas no refúgio mais íntimo que te dou a conhecer, alimentam as saudades despidas de embaraços.
Não me lembro definitivamente de algo tão marcante, tão vivido, sem falhas intelectuais. Há quem lhe chame sorte, há quem se orgulhe, há quem guarde tudo em si. Limito-me a fazer de tudo isso um pouco e acima de tudo, limito-me a sentir o teu lado mais virgem.
sábado, 11 de setembro de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Devaneios
Um clique rápido no coração sem qualquer lembrança de como voltar a desligar.
É assim que tem de ser. Só pode ser assim.
Caso contrário, ensina-me a não apreciar o
azul.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
...
Desafio constantemente o ser só para conseguir mais tempo para absorver todos os fragmentos de luz. Como uma rotina imprevista, uma reflexão de longos e sábios pensamentos, este sentimento cresce; cresce tanto que por vezes sinto-me incapaz de abraçar tamanha emoção. Um prazer mútuo estampado na alma, uma conjunção de palavras sopradas na brisa matinal que arrefece a pele nua.
Despidos de vaidades, frente-a-frente, como se fossemos capazes de nos enfrentar a nós mesmos. O retorno à emoção primitiva, o travo incapaz de se soltar da minha boca. Uma calma parente que nos faz querer mais. O regresso a nós como seres rendidos ao prazer. O não querer conhecer outra coisa, o não querer despir outro corpo senão o teu.
Voltar a mim, contigo já dentro. Saudade, quase tão grande como a paixão. Desconhecer a razão, o entendimento, e ainda assim apaixonar-me constantemente por ti.
Renovar laços, criar expectativas, crescer lentamente com inteligência. Poesia deixada como marco na tua janela, o alcançar de um novo estado.
"Viajar é perder identidade."
Despidos de vaidades, frente-a-frente, como se fossemos capazes de nos enfrentar a nós mesmos. O retorno à emoção primitiva, o travo incapaz de se soltar da minha boca. Uma calma parente que nos faz querer mais. O regresso a nós como seres rendidos ao prazer. O não querer conhecer outra coisa, o não querer despir outro corpo senão o teu.
Voltar a mim, contigo já dentro. Saudade, quase tão grande como a paixão. Desconhecer a razão, o entendimento, e ainda assim apaixonar-me constantemente por ti.
Renovar laços, criar expectativas, crescer lentamente com inteligência. Poesia deixada como marco na tua janela, o alcançar de um novo estado.
"Viajar é perder identidade."
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Mood
Um ligeiro sopro na alma. O maior prazer doentio de que se pode ter conhecimento. A recolha, o guardar, o absorver de todos os estados. A precisão da intuição, o dissabor do pensamento. Uma necessidade mútua de batalha, o cheque-mate como primeiro passo.
Auto-conhecimento. Reflexão dispensável dissimulada por toda uma camuflagem maior. Dedução, o perigo. Atentados à sanidade mental como cura para todos os males. Inevitável. Disparo sem pólvora sobre corações em chama, corridas contra o tempo assumidas.
Serenidade, o desconhecido. O outro lado, o reverso, a face negra. Guerra constante entre chegadas e partidas de emoções, a procura incansável de quem não se contenta com pouco. Simplicidade. Dois corpos despidos de razão, o toque reinventado. Aprofundamento de teorias e questões, busca inútil de respostas.
Contra-natura. Força indomável, rasteira para o coração. O renascer, noites desejando ser dias. O sopro crescente na alma.
Auto-conhecimento. Reflexão dispensável dissimulada por toda uma camuflagem maior. Dedução, o perigo. Atentados à sanidade mental como cura para todos os males. Inevitável. Disparo sem pólvora sobre corações em chama, corridas contra o tempo assumidas.
Serenidade, o desconhecido. O outro lado, o reverso, a face negra. Guerra constante entre chegadas e partidas de emoções, a procura incansável de quem não se contenta com pouco. Simplicidade. Dois corpos despidos de razão, o toque reinventado. Aprofundamento de teorias e questões, busca inútil de respostas.
Contra-natura. Força indomável, rasteira para o coração. O renascer, noites desejando ser dias. O sopro crescente na alma.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Inominável
Infinitas descrições possíveis, as palavras armazenadas como registo nostálgico. A incerteza, a insegurança, a nossa chegada tão longínqua. A presença imprescindível, uma força cósmica. Conhecimento exacto e inconcreto, o exame minucioso do silêncio. A necessidade do teu bem-estar, a análise mais profunda dos sentidos.
Desconhecimento da causa, sentimento proveniente da acção. Efeito borboleta, o meu ópio. Estranha convicção escondida, o discurso metafórico como refúgio. A soma simples de estados semelhantes, a aparência real.
Simulação evidente de desconhecimento. Uma atitude muito própria, carácter dissolúvel na alma. Toda a tua singularidade, a singeleza deste novo amanhecer, a sincera emoção. Infinitas descrições possíveis, uma só maneira de sentir.
Desconhecimento da causa, sentimento proveniente da acção. Efeito borboleta, o meu ópio. Estranha convicção escondida, o discurso metafórico como refúgio. A soma simples de estados semelhantes, a aparência real.
Simulação evidente de desconhecimento. Uma atitude muito própria, carácter dissolúvel na alma. Toda a tua singularidade, a singeleza deste novo amanhecer, a sincera emoção. Infinitas descrições possíveis, uma só maneira de sentir.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Genuíno
Um sonho agitado. A ressonância profunda do sopro irracional. O embaraço momentâneo, o prazer deixado à margem. O tempo esvaziado pelo eco paradoxal. A dicotomia dos seres nocturnos, a garantia da essência efémera. Uma passagem tão forte, marcada pelas ausências, os trilhos determinados pelo pensamento.
A vontade inóspita de prosseguir, a genuinidade da alma. Pura crueldade vendida a viajantes do tempo. Sinais como respostas, perguntas como conhecimento, a verdade escondida nas entre-linhas. O abandono, afogamento, o sufoco das palavras.
Profundo estado de descoberta, o retorno da inocência. A necessária ignorância como meio para atingir a cova mais profunda. O enterro.
A vontade inóspita de prosseguir, a genuinidade da alma. Pura crueldade vendida a viajantes do tempo. Sinais como respostas, perguntas como conhecimento, a verdade escondida nas entre-linhas. O abandono, afogamento, o sufoco das palavras.
Profundo estado de descoberta, o retorno da inocência. A necessária ignorância como meio para atingir a cova mais profunda. O enterro.
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