Puro doirado
Dupla linha desfeita
Ser inanimado
Miragem refeita.
Um foi presente
Com olhar ausente
Miradouros inabaláveis
Sempre distantes.
Poesia cruel
Nunca chegas nas tardes de outono,
Pedaço de azul lamacento
Nada serias.
P.S.: Stay gold.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Tradições
Pacientemente passo o fio de oiro na fieira e, com ele passam todas as memórias. Revejo cada doirado cabelo meu naquele extenso e delicado fio de oiro. Agora, minuciosamente, estruturo toda a minha alma: são arrecadas repletas de histórias porque também elas arrecadam o peso do tempo. Tento, ainda que sem sucesso, fugir a esta tradição de preencher todo o vazio como um rendilhado, mas as vivências são tantas que enchem todo um coração. Com um sopro, certeiro e profundo, toda a peça é unificada e, estes lábios que sopram com paixão, são lábios que nunca cantam em outro maçarico. É o destino, é o nosso fado, poesia cantada em compassos ardentes que se fazem sentir numa bancada robusta com um eterno travo a português.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Tiros mudos
Tiros mudos
Ela corre e corre.
Evasão de pássaros
O pântano espera-te
A fogueira arde com um crepitar doentio.
Azul bizarro
Estou doente por te conhecer
Vicissitude ocasional.
É aqui que te deixo.
Ela corre e corre.
Evasão de pássaros
O pântano espera-te
A fogueira arde com um crepitar doentio.
Azul bizarro
Estou doente por te conhecer
Vicissitude ocasional.
É aqui que te deixo.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
De mim para o Mundo
" O mal é dos corpos, que a alma, essa, é perfumada." José Saramago
Teve de ser, apesar de não apreciar nem um pouco o autor, a veracidade da afirmação é inegável.
Desculpem, não consigo parar de criticar o ser humano, ele dá-me razões para isso.
Teve de ser, apesar de não apreciar nem um pouco o autor, a veracidade da afirmação é inegável.
Desculpem, não consigo parar de criticar o ser humano, ele dá-me razões para isso.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Feliz Natal
Querido Pai Natal,
chegou a altura do ano em que todos te escrevem cartas muito bonitas com a esperança que sejas generoso. Eu não sou a excepção na regra e, assim sendo, também te quero pedir algumas prendinhas.
Na realidade só te vou pedir uma e, uma vez que é para o bem de todos, espero que cedas a este desejo. Desde sempre que te peço paz e alegria mas visto que não atendes a esse tipo de pedidos mudei de estratégia; sim, porque não és só tu que coordenas renas, eu cá também tenho de prestar contas com os meus botões.
Este ano, e juro que se não encontrar nada no sapatinho passo a acreditar que não existes, tenho um pedido urgente e especial. Parece ser tão grandioso e utópico que até sinto uma ligeira vergonha em dizê-lo, mas tem de ser.
Quero então, pedir-te com toda a sinceridade, uns gramas de racionalidade e reflexão. Mais ainda!, este ano vou entender que tens muitos pedidos e vou apenas pedir-te isto para o meu povo, para o meu Portugal pessimista de sempre. Já viste, tão solidária que ando...Costumo pedir para o Mundo todo mas desta vez facilitei-te o trabalho.
Pensa nisto com carinho, não desfaças mais uma vez os sonhos desta pobre criança (e não me digas que já cresci...).
Ah!, e já agora, se não for pedir muito, atribui-me também um bocadinho de credibilidade, não preciso de muita...Só um bocadinho.
Muitos beijinhos da Maria João.
chegou a altura do ano em que todos te escrevem cartas muito bonitas com a esperança que sejas generoso. Eu não sou a excepção na regra e, assim sendo, também te quero pedir algumas prendinhas.
Na realidade só te vou pedir uma e, uma vez que é para o bem de todos, espero que cedas a este desejo. Desde sempre que te peço paz e alegria mas visto que não atendes a esse tipo de pedidos mudei de estratégia; sim, porque não és só tu que coordenas renas, eu cá também tenho de prestar contas com os meus botões.
Este ano, e juro que se não encontrar nada no sapatinho passo a acreditar que não existes, tenho um pedido urgente e especial. Parece ser tão grandioso e utópico que até sinto uma ligeira vergonha em dizê-lo, mas tem de ser.
Quero então, pedir-te com toda a sinceridade, uns gramas de racionalidade e reflexão. Mais ainda!, este ano vou entender que tens muitos pedidos e vou apenas pedir-te isto para o meu povo, para o meu Portugal pessimista de sempre. Já viste, tão solidária que ando...Costumo pedir para o Mundo todo mas desta vez facilitei-te o trabalho.
Pensa nisto com carinho, não desfaças mais uma vez os sonhos desta pobre criança (e não me digas que já cresci...).
Ah!, e já agora, se não for pedir muito, atribui-me também um bocadinho de credibilidade, não preciso de muita...Só um bocadinho.
Muitos beijinhos da Maria João.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Agora e Sempre
Também eu já soprei com estes lábios gretados pelo respirar bolinhas de sabão, e como era bom poder possuí-las com um simples toque. Estes grandes olhos verdes vão-se tornando cada vez maiores e subo de galho em galho na esperança de alcançar a melhor vista.
São pegadas lamacentas que me interpolam e me fazem apoiar em diamantes fumados pelo teu calor; são canções de embalar que me acordam para esta nova metamorfose. E eu, sempre aconchegada pelo teu bater de asas, vou voando cada vez mais rasteirinha ao chão, para que um dia possa pousar em tudo aquilo que já criei.
São pegadas lamacentas que me interpolam e me fazem apoiar em diamantes fumados pelo teu calor; são canções de embalar que me acordam para esta nova metamorfose. E eu, sempre aconchegada pelo teu bater de asas, vou voando cada vez mais rasteirinha ao chão, para que um dia possa pousar em tudo aquilo que já criei.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
& nós
Existe uma busca constante da luz e da verdade empreendida pela alma. Somos como traças que corroem as memórias até estas se esgotarem e as recordações se perderem num casulo. Somos presas frágeis e tentadoras, de débil estrutura e carácter. Morremos nesta busca por algo mais verdadeiro sem que ainda tenhamos definido o que é a verdade. Mergulhamos num estado de profunda languidez e tornamo-nos moribundos. Somos nós, o bicho mais repugnante à face da terra.
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