terça-feira, 16 de junho de 2009

People=shit

Tenho um desejo profundo de acabar com a raça humana (e mais não digo).


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Falas

Deixemos de falar sobre o amor, amizade e outros sentimentos singulares. As falinhas mansas são sempre hipócritas e as palavras que nos atacam nunca são bem recebidas. O cuidado com que escolhemos cada letra, o cuidado com que pensamos em cada entoação...é ridículo.
O ser humano está cada vez mais decadente mas não falemos também dele que já cansa. O tempo não é de certeza um bom tema de conversa e se preferem falar da ecologia meus amigos, a paciência está gasta por dircursos feitos.
Falaremos então do nada que ocupa tudo, do cheiro morto que intoxica o vivo, do saber eloquente da loucura, da sabedoria vazia em inteligência. Os ponteiros do relógio marcam o compasso e os ouvidos entrelaçam-se na melodia; os cabelos voam como folhas lisas e as mãos sujas foram agora limpas por terra.
Voltaremos a falar, mas não sobre ti.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Aguardando por Lisboa

Português gentil
Que se entranha fortemente,
Eco mudo
Grito surdo,
Só a palavra
E a tua gente.
Soletro e repito
Todo o processo
Como um ritual:
Procuro o teu encanto
Revelo os meus segredos,
Encontro-te cantando
Dissipando os medos.
Que esta cidade,
Esta cidade irra!,
Esta cidade é Lisboa
Eu e o meu sotaque alfacinha
Tu e a tua pinga boa.
A noite avança
E já sinto a calçada,
Escura e brava
Anunciação do nada.
Retiro me agora
De todos os pensamentos,
Chegou a minha hora
E a sabedoria dos ventos.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Ciclos

Cheguei ao ponto de consultar as previsões meteorológicas e de falar da gripe suína como se fosse o apocalipse. A escola retira-me toda a sanidade mental. António Arroio, António Arroio...um mito. Sentir saudades? Só se for dos bancos ao sol e dos pseudo-intervalos. E foi tanto em tão pouco...Deixas marcas a todos os que por ti passam: os pulmões ficam escuros como a noite, os neurónios dos teus passageiros hibernam e ainda assim insistes em dizer "Amo-te."
Ainda não cheguei ao fim, acredito que ainda tenhas mais bugigangas para me encher a mala mas, peço-te por tudo, não me deixes levar só as folhas de rascunhos, deixa-me também levar todos os quadros que pintei.
És sem dúvida um marco na nossa vida (ou será que somos nós na tua?).

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cartas

"O sentimento singelo que se apoderou de mim começa agora a desvanescer-se, não que tenha perdido valor mas talvez esteja escondido timidamente no tempo. Apago lentamente todos os teus gestos e facetas; escondo nos meus olhos os teus traços e impeço racionalmente o teu perfume doce e subtil. Encaro novas realidades, despeço-me de antigos sonhos. Parto lentamente da tua mão para um novo abraço e trato de recortar bem cada memória até desaparecer.
Evito a todo o custo o nosso reencontro e mais ainda: evito até a tua presença na minha alma (que ironia). Enquanto te escrevo esta carta arrumo as tuas notas amorosas deixadas pela manhã; derramo uma ou outra lágrima ao recordar as paredes que trepamos só para poder apreciar o melhor pôr-do-sol, mas nada de especial, acredita. Se conseguir, esta será a última vez que lerás palavras minhas: as novidades saberás pelas tuas fontes (toda a gente tem algumas). E agora, no tom muito tímido e suave com que te disse o primeiro amo-te, digo-te adeus.

Beijinhos."

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Viagens I

03:00h - A criança nasce silenciosamente num escuro pertubador. A mente está reduzida ao pensamento do tempo.
04:27h - A cor outrora amarela ganhou agora encanto, um tom alaranjado intenso e quente: a paixão nasceu.
05:43h - Florescem as primeiras pétalas de um frágil malmequer (que inocência!).
06:00h - A sensação de toque irrequieta a alma que se eleva a um nível posterior de emoções.
07:58h - À primeira brisa a mente retira-se do físico.
08:13h - O relativismo da situação levou a um dramatismo exagerado que se apoderou da alma.
09:00h - A face está repleta de vergonha - prisioneira da liberdade revoltou-se.
10:33h - O caminho cobriu-se de pedras arredondadas para que a passagem não fosse dolorosa.
11:45h - Nunca a saudade esteve tão perto - a presença da ausência saturou os sentimentos.
12:00h - Por agora a viagem é concluída. Prosseguiu apenas o olhar reduzido ao coração.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Deuses e Deuses

O céu anunciava mais uma bela manhã de Domingo e todas elas tinham o seu encanto. Adorava aquele ritual: eram 9h e eu já estava pronta com os meus sapatos mais bonitos e o longo cabelo penteado; as unhas roídas e as sardas características denunciavam a minha atitude e o facto era que eu só aguardava a boleia para a igreja.
Os sinos tocavam às 10h e eu esperava ansiosamente para entrar na festa: era como se naquele instante tudo fosse puro e imaculado e a minha alma se elevasse ao mais alto nível. Todos eram bons, todos desejavam a paz de Cristo enquanto eu entoava as notas de glória. As palavras ditas por aquele Senhor de sandálias e meias soavam-me melhor que hoje as do Aristóteles e, as leituras vindas de um velho livro empoeirado, eram recebidas com alegria.
Hoje cresci, demasiado até. Ao crescer uma enorme quantidade de pecados fica arrecadado e todas as confissões se tornam insuficientes. Hoje percebo que os gestos bondosos não passavam de hipocrisia, que o dinheiro para os pobres empregou-se lindamente numa nova estátua e que para além das portas da igreja ninguém era irmão de ninguém. Não sei que Deus adoravam eles, mas o meu mantém-se inalterado no espírito e muito além da materialização que lhe atribuem.